Sintra       » Voltar «

Sintra é uma vila portuguesa no Distrito de Lisboa, e Igualmente, sede de um município com aproximadamente 317 km² de área , subdividido em 20 freguesias.

O município tem cerca de 445 000 habitantes (informações relativas a 2008) e comunica a norte com omunicípio de Mafra, a leste com Loures e Odivelas, a sueste com Amadora, a sul com Oeiras e Cascais e a oeste com o oceano Atlântico.

A Vila de Sintra inclui o sítio Paisagem Cultural de Sintra, Património Mundial da UNESCO e tem recusado ser elevada a categoria de cidade, apesar de ser sede do segundo mais populoso município em Portugal, segundo a Câmara Municipal de Sintra.


História de Sintra


Podemos encontrar em Sintra testemunhos de praticamente todas as épocas da história portuguesa e, muito frequentemente, com uma dimensão que chegou a ultrapassar, pela sua importância, os limites deste território. Na candidatura de Sintra a Património Mundial/Paisagem Cultural junto da UNESCO, tratou-se de classificar toda uma área que se assumiu como um contexto cultural e ambiental de características específicas: uma unidade cultural que tem permanecido intacta numa plêiade de palácios e parques; de casas senhoriais e respectivos hortos e bosques; de palacetes e chalets inseridos no meio de uma exuberante vegetação; de extensos troços amuralhados que coroam os mais altos cumes da Serra. Também de uma plêiade de conventos de meditação entre penhascos, bosques e fontes: de igrejas, capelas e ermidas, pólos seculares de fé e de arte; enfim, uma unidade cultural intacta numa plêiade de vestígios arqueológicos que apontam para ocupações várias vezes milenárias.


Do Neolítico à Idade do Bronze

Palácio de Seteais, construído no século XVIII para o cônsul holandês Daniel Gildemeester, numa porção de terra cedida pelo marquês de Pombal

Os mais antigos testemunhos de ocupação humana estão localizados num cume da vertente Norte da Serra de Sintra. Estamos a falar da ocupação epipaleolítica da Penha Verde, comprovada por muitos utensílios de tipo microlaminar. Testemunho de uma ocupação do Neolítico é o sítio de ar livre de São Pedro de Canaferrim, junto à Capela do Castelo dos Mouros. A originalidade deste sítio, enquadrado em termos cronológico-culturais na corrente circum-mediterrânica, consiste na sua implantação na paisagem, em plena montanha. Vestígios vários da Idade do Bronze Atlântico (segunda metade do II milénio a.C. - inícios do I), surgem em diversos locais da Serra de Sintra, quer a nível de habitats (Parque das Merendas, junto à Vila), quer em contextos votivos (Monte do Sereno). Do Bronze Final ou período Orientalizante, séculos IX-VI a.C, de novo e intensamente virado para a Bacia Mediterrânica, existe um importante e vasto povoado localizado sob o Castelo dos Mouros.


Durante o Império Romano

Durante o Império Romano toda a região de Sintra estava inscrita no vasto territorium da civitas olisiponense, à qual César cerca de 49 a.C. ou, mais provavelmente, Octaviano cerca de 30 a.C., concedeu o invejável estatuto de Municipium Civium Romanorum. Os vários habitantes da região inscrevem-se na tribo Galeria, adoptando nomes romanos - com especial destaque para o imperial "Lulius" -, e apresentam-se plenamente imbuídos de romanidade, nos mais diversos aspectos culturais, políticos e económicos. Mesmo aqueles que, porventura oriundos de outras regiões da Lusitania, ostentam nomes indígenas aparecem quase sempre integrados nesta sociedade profundamente romanizada. Sob a actual Vila de Sintra foram encontrados muitos vestígios romanos avulsos, que sugerem a presença de um habitat ocupado desde os séculos II/I a.C.- V d.C.. Uma via ligaria este povoado à zona rural a sudeste da Serra onde entroncaria na estrada para Olisipo. O troço seguiria grosso modo a Rua da Ferraria, a Calçada dos Clérigos e a Calçada da Trindade. Conforme o habitual uso que os Romanos tinham em colocar os seus túmulos ao longo das vias e à saída dos habitats, também aqui se detectaram vestígios de lápides pertencentes a monumentos funerários do século II d.C..


Domínio muçulmano

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Porta islâmica no Castelo dos Mouros (Sintra)

Depois da Invasão muçulmana -século VIII-, a região de Sintra foi ocupada, tendo a povoação sido nomeada de as-Shantara e sido erguida a primitiva fortificação da penedia, entre o século VIII e o IX, para controlar estrategicamente as vias terrestres que ligavam Sintra a Mafra, Cascais e Lisboa.


Durante o domínio muçulmano surgiram, os primeiros textos que referem explicitamente a Vila de Sintra (Xintara ou Shantara em árabe). Sintra é descrita no século X pelo geógrafo Al-Bacr, fixada por Al-Munim Al-Himiari, como «uma das vilas que está dependente de Lisboa no Andaluz, nas proximidades do mar». Outros textos mencionam-na como o centro urbano mais importante logo a seguir a Lisboa, neste território.


A Reconquista

 

Principal núcleo urbano e económico logo a seguir a Lisboa, a Vila de Sintra e o seu Castelo foram durante a Reconquista, no século XI, várias vezes assolados pelos exércitos cristãos. O rei Afonso VI de Leão na sequência da queda do califado de Córdova numa conjuntura de instabilidade entre as diversas Taifas muçulmanas da Península e da decisão do rei de Badajoz Al Mutawakkil, de se colocar sob sua protecção face à ameaça almorávida, após um período de hesitação entre 1090 e 1091, recebeu deste na Primavera de 1093 as cidades de Santarém, de Lisboa e o Castelo de Sintra. Afonso VI tomou posse das ditas cidades e do castelo de Sintra entre 30 de Abril e 8 de Maio de 1093.
Lisboa foi, pouco depois da entrega a Afonso VI, conquistada pelos almorávidas, assim como Sintra, só resistindo Santarém devido aos esforços de D. Henrique de Borgonha, nomeado conde de Portucale em 1096, em substituição de Raimundo de Borgonha. É neste contexto de manutenção da fronteira do Tejo que, em Julho de 1109, o conde D. Henrique reconquista o Castelo de Sintra. Esta fortificação foi ainda alvo de surtidas esporádicas, caso do assalto comandado pelo príncipe Sigurd, filho do rei Magnus da Noruega que, de passagem em cruzada à Terra Santa desembarcou na foz do Rio de Colares.


Só após a tomada de Lisboa por D. Afonso Henriques em 1147, Sintra é definitivamente integrada no espaço cristão, no contexto da conquista de Almada e Palmela. Logo depois da tomada de posse do Castelo, D. Afonso Henriques funda a igreja de São Pedro de Canaferrim.
Em 9 de Janeiro de 1154 D. Afonso Henriques concede Carta de Foral à Vila de Sintra com as respectivas regalias. A Carta de Foral estabelece o Concelho de Sintra, cujo termo passa a abranger um vasto território, mais tarde dividido em quatro grandes freguesias: São Pedro de Canaferrim, com sede paroquial junto ao Castelo; São Martinho, com sede paroquial no centro da Vila; e Santa Maria e São Miguel, ambas com sede paroquial no Arrabalde.


Outrora, existiu na Vila de Sintra uma importante comunidade de sefardins, que dispunha de sinagoga e de bairro próprio, a Judiaria - designação que chegou aos nossos dias na toponímia do Centro Histórico. Existem documentos que referem a existência de mouros-forros dos quais existia uma comunidade importante em Colares, cuja subsistência ainda é referida no reinado de D. Dinis. Outra documentação assinala numerosos antropónimos de tipo Godo, reminiscências dos cruzados ou das gentes do Norte da Península, chegados com a reconquista de D. Afonso Henriques. Alguns nomes de cariz moçárabe, menos frequentes, ou latinos, apontam para antigas populações autóctones.

 

 

Do séc.XII ao séc.XIV

Castelo de sintra
Castelo de Sintra

Durante os séculos XII e XIII, fazendo justiça à boa qualidade das terras de Sintra, vários conventos e mosteiros, assim como ordens militares, aqui detêm casais, herdades, azenhas, vinhas. Pode encontrar-se no Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Sintra registo de um grande número de doações. Assim, logo em 1157 ou 1158, D. Afonso Henriques doa ao mestre da Ordem do Templo, D. Gualdim Pais várias casas e herdades no termo de Sintra e «casas de morada» nas proximidades do Paço. Em 1210, o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra afora quatro casais que detinha em Pocilgais, tornando a aforá-los mais tarde, em 1230. Possuía também, em 1264, vinhas e casais em Almargem. O Mosteiro de São Vicente de Lisboa detinha, em 1216, uma vinha na várzea de Colares e, em 1218, herdades em Queluz e Barota. Em data situada entre 1223 e 1245, o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça possuía vários privilégios nesta área. A Ordem militar de Santiago possuía, em 1260, uma herdade na Arrifana, a qual afora nesse ano.
As doações régias ocorridas no século XII e XIII a conventos, mosteiros e ordens militares - assim como os próprios privilégios outorgados pelo foral de D. Afonso Henriques e confirmados em 1189 pelo seu filho D. Sancho I (1185-1211) -, correspondem a uma estratégia de organização estrutural do território sintrense pós-Reconquista. É assim que, logo a partir de 1261, Sintra possui uma administração local constituída por um alcaide que representa a Coroa e por dois "alvazis" ou juízes eleitos pelo povo.
No contexto das conturbadas relações entre a coroa e a igreja durante o reinado de D. Sancho II (1223-1248) — que levaram à deposição deste pela Santa Sé em 1245 e à nomeação do seu irmão, o infante D. Afonso III, regente do reino , as igrejas de São Pedro e de São Martinho, que pertenciam ao rei, são cedidas a título de reparação, respectivamente ao bispo de Lisboa e ao cabido da Sé.
Depois da Reconquista e durante a fase de definição do poder régio que se estende até ao reinado de D. Dinis (1279-1325), Sintra soube integrar, no âmbito de uma tradição secular, cristãos e mouros. Há registo de que em 1281 a comunidade de mouros-forros de Colares se ter queixado ao rei do elevado teor das contribuições que sobre si recaíam e de D. Dinis as ter reduzido para o quarto das colheitas em troco de trabalho no Paço da Vila.
A grande epidemia de peste negra que durante o século XIV eliminou um quarto da população europeia chegou a Sintra em 1348 e há relato, por um documento de 1350, que a doença dizimou cinco tabeliães da administração municipal. Devido ao clima frio e húmido de Sintra - que favorecia à rápida propagação da doença - a peste deve ter feito na vila um considerável número de mortos.
Durante o reinado de D. Fernando I (1367-1383), Sintra aparece ligada ao controverso casamento do monarca com D. Leonor Teles.


 Domínio Espanhol e Restauração

 

Sala dos Brasões
Sala dos Brasões no Palácio Nacional de Sintra

Com a morte do Cardeal D. Henrique (1578-1580), Filipe II de Espanha herda o reino de Portugal que vai permanecer sob a administração espanhola até 1640. Durante este período de sessenta anos, a importância que Sintra tivera durante séculos é “transferida” para Vila Viçosa, cidade principal da Casa de Bragança, cujos duques, descendentes de D. João I, se consideram os herdeiros do trono português. Mesmo assim, Sintra não deixa de ser, nesta época, um dos locais em que se reflectem algumas das principais conjunturas políticas e mentais do reino.
Nas vésperas da Restauração, por volta de 1639, Sintra contava com cerca de 4.000 habitantes, segundo um cômputo espanhol da altura. A conjuntura da Restauração e das suas guerras com a Espanha (1640-1668), a afirmação de Mafra no tempo de D. João V (1706-1750) com a construção do Palácio-Convento e, por fim, de Queluz onde é construído em 1747 um outro palácio real, no período dos reinados de D. José I (1750-1777) e de D. Maria I (1777- -1816), afasta a Vila dos circuitos régios e aristocráticos. Apenas se verifica, durante este longo tempo, em 1652 e 1654 as festas de entrada em Sintra, respectivamente, da rainha D.Luísa de Gusmão e do seu marido o rei D. João IV (1640-1656); e o final da saga da deposição e morte de D. Afonso VI.
Alegando a insanidade do rei e a sua incapacidade para dar ao reino um herdeiro, o duque de Cadaval e o infante D. Pedro lideram um golpe de Estado em 1667 que leva à demissão do conde de Castelo-Melhor, ministro de D. Afonso VI (1656-1633) e à prisão do próprio monarca. As Cortes de Lisboa de 1668 confirmam o infante D. Pedro, irmão do rei, regente e herdeiro. D. Afonso VI vive o resto da sua vida encarcerado: no Paço da Ribeira de Lisboa (1667-1669), no forte de São João Baptista de Angra, nos Açores (1669-1674) e, por fim, depois de descoberta uma conspiração para matar o regente, no Paço da Vila de Sintra (1674-1683).


 O século XVIII: o terramoto

Palácio de Seteais
Palácio de Seteais, construído no século XVIII para o cônsul holandês Daniel Gildemeester, numa porção de terra cedida pelo marquês de Pombal.
Palácio Real de Queluz
Palácio Real de Queluz

O terramoto de 1755, originou na Vila de Sintra e no seu redor avultados estragos e muitos mortos. É nesta segunda metade do século XVIII que decorrem, no Paço da Vila, obras de restauro. Há que registar, ainda no século XVIIl, a criação da primeira unidade industrial do concelho, a Fábrica de Estamparia de Rio de Mouro, em 1778, e a visita da rainha D. Maria I à Vila em 1787, para cuja ocasião foram redecoradas algumas salas e câmaras do Paço. Mas as grandes festas, em 1795, pelo baptizado do infante D. António, filho de D. João VI, foram celebradas com magnificência no Palácio de Queluz... E até que o rei-consorte D. Fernando II compre o Mosteiro da Pena e uma vasta área adjacente, em 1838, há apenas que assinalar o arco da autoria do arquitecto Costa e Silva, construído no Palácio de Seteais pertença do Marquês de Marialva, para comemorar em 1802 a visita dos Príncipes do Brasil, D. João e D. Carlota Joaquina e a visita do rei absolutista D. Miguel em 1830.

 Tempos áureos: séc.XIX e XX

 

Palácio de Monserrate
Palácio de Monserrate, exemplar notável do Romantismo foi construído em 1858
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Jardins do Palácio de Monserrate

No terceiro quartel do século XVIII e praticamente todo o século XIX o espírito romântico dos viajantes estrangeiros e da aristocracia portuguesa redescobrem a magia de Sintra e dos seus lugares, mas sobretudo o exotismo da sua paisagem e do seu clima. Aqui chega, no Verão de 1787 William Beckford, hóspede do 5° marquês de Marialva, estribeiro-mor do reino, residente na sua propriedade de Seteais e é aqui que a ainda princesa D. Carlota Joaquina, mulher do regente D. João, compra, no princípio do século XIX, a Quinta e o Palácio do Ramalhão.
Entre 1791 e 1793 Gerard Devisme constrói na sua extensa Quinta de Monserrate o palacete neo-gótico cujo desenho — supõe-se que de arquitecto inglês — não foi ainda atribuído com segurança. Beckford, que permanecera em Sintra, arrenda a propriedade de Devisme em 1794. E é ainda o exotismo desta paisagem envolta em nevoeiro uma boa parte do ano que atrai um outro inglês, Francis Cook — o segundo arrendatário de Monserrate depois de Beckford, à custa do qual é construído o pavilhão de gosto orientalizante que hoje conhecemos -, entre uma série de magnatas estrangeiros que por aqui se vão fixando em palácios, palacetes e chalets que fazem construir ou reconstroem à medida das potencialidades deste invulgar meio natural.
O grande empreendimento artístico deste século em Sintra é sem dúvida o Palácio da Pena, obra marcante do romantismo português, iniciativa do rei-consorte D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II (1834-1853), um alemão da casa de Saxe-Cobourg-Gotha. O Palácio, construído sobre o que restava do velho mosteiro Jerónimo do século XVI — mas conservando-lhe partes fundamentais (a igreja, o claustro, algumas dependências) — é de uma arquitectura ecléctica única que não teve continuidade na arte portuguesa. Projecto do barão de Eschwege e do próprio D. Fernando II, substitui-se ao Palácio da Vila enquanto estância de veraneio da Corte, alternando, no final do século, com outro núcleo regional do veraneio régio: Cascais. Depois de Sintra, nos meses de Setembro e Outubro é em Cascais que a corte de D. Luís I (1861-1889) e de D. Carlos I (1889-1908) termina o veraneio.

Palácio Nacional da Pena
Palácio Nacional da Pena, uma das melhores expressões do Romantismo arquitectónico do século XIX no mundo, construído cerca de 30 anos antes do carismático Castelo de Neuschwanstein, na Baviera.
Palácio Nacional da Pena
Palácio Nacional da Pena, pórtico do Tritão programado por D. Fernando, que o desenhou como um «Pórtico allegórico da creação do mundo» e parece condensar em termos simbólicos a teoria dos «quatro elementos».

Em 1854 é celebrado o primeiro contrato para a construção de um caminho de ferro que ligasse a Vila a Lisboa. Um decreto de 26 de Junho de 1855 regulava este contrato celebrado entre o governo e o conde Claranges Lucotte que, todavia, foi rescindido em 1861. Após várias tentativas sem êxito, a linha foi finalmente inaugurada a 2 de Abril de 1887.
No princípio do século XX, foi Sintra um reconhecido lugar de veraneio e residência de aristocratas e de milionários. De entre estes, Carvalho Monteiro detentor de uma considerável fortuna que lhe valeu a alcunha de "Monteiro dos Milhões", fez construir perto da Vila, na quinta que comprara à baronesa da Regaleira, um luxuoso palacete cuja arquitectura neo-manuelina representa um marco na história do revivalismo português.


Palácio da Regaleira
Palácio da Regaleira
Entre a segunda metade do século XIX e os primeiros decénios do século XX, Sintra tornou-se um lugar privilegiado para artistas: músicos como Viana da Mota; músicos-pintores como Alfredo Keil; pintores como João Cristino da Silva, autor de uma das mais célebres telas do romantismo português: Cinco Artistas em Sintra; escritores como Eça de Queiróz ou Ramalho Ortigão, todos eles aqui residiram, trabalharam ou procuraram inspiração.
Mas não só artistas portugueses se têm maravilhado em Sintra. Em 1757, o romancista Henry Fielding, ao sentir-se doente, retirou-se para uma mansão em Sintra, que considerou o lugar mais belo da terra para escrever um novo romance. O poeta Robert Southey também viveu em Sintra com a mulher e com os filhos e desafiou os outros românticos ingleses a fazerem o mesmo. Samuel Taylor Coleridge imitou-o e descreveu Sintra como um jardim do Éden à beira de um mar prateado, e o poeta William Wordsworth também visitou a região. Em 1809 Lord Byron escreveu ao seu amigo Francis Hodgson (1781–1852) dizendo que a vila de Sintra é talvez a mais bonita do mundo. No poema Childe Harold Pilgrimage Byron referiu-se a “Cintra's glorious Éden” A 21 de Agosto de 1859 chegou a Portugal o poeta Alfred Tennyson com a intenção de conhecer Sintra. Muitos anos mais tarde foi a vez do escritor Isaac Bashevis Singer, galardoado com o premio Nobel da Literatura, andar a passear por Sintra, conforme relatou no seu conto Sabbath in Portugal.
Em 1981, o cineasta brasileiro Glauber Rocha, um dos mais importantes nomes do cinema moderno mundial, legítimo representante do barroco latinoamericano e terceiromundista, escolhe Sintra para ser, como ele próprio afirmou, "seu segundo e último exílio". Aos 42 anos, já com a saúde debilitada, problemas financeiros, e uma forte decepção frente à rejeição de seu último filme, "A Idade da Terra" (1980), no Festival de Veneza, Glauber vai a Sintra já ciente de que sua vida chegara ao fim. "O preço pago pela liberdade artística", dizia. Um mistério: por várias vezes, anos antes, Glauber afirmara que morreria aos 42, o que, de fato, ocorreu. "Sintra é um belo lugar para morrer", afirmou.
"Verdadeiro Património da Humanidade já enquanto referência com largos séculos, a Candidatura de Sintra a Património Mundial/Paisagem Cultural, que apresentámos e defendemos, representa o reconhecimento monumental e ambiental de uma vasta paisagem cultural cuja identidade - formulada também com importantes contributos de estrangeiros que reconheceram neste lugar qualidades que na maior parte dos casos se saldaram com permanências longas e por vezes definitivas, na grande parte dos exemplos dando origem a um rico património literário — permaneceu ao longo dos oitocentos anos de história deste País. In "Sintra Património da Humanidade"


 

 

Freguesias

Freguesias de Sintra:

freguesias sintra
Freguesias sintra

•Agualva
•Algueirão-Mem Martins
•Almargem do Bispo
•Belas
•Cacém
•Casal de Cambra
•Colares
•Massamá
•Mira-Sintra
•Monte Abraão
•Montelavar
•Pêro Pinheiro
•Queluz
•Rio de Mouro
•Santa Maria e São Miguel
•São João das Lampas
•São Marcos
•São Martinho
•São Pedro de Penaferrim
•Terrugem

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